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Cheia de mar.
De mar na chuva.
De chuva no mar.

São brumas, ela disse.
Não eram.
Eram sonhos condensados
e transformados em gotas
sendo à tarde.

Era à chuva inundando
a roupa e a alma.
que não secaram.

Azuis-cinzas,
claros, escuros
enormes e
vazios.

Efêmero momento
de se saber feliz.

 



- Postado por: Delia ?s 00h11
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Aliterações

 


Racharia a rocha roxa
se soubesse que as aliterações
te trariam de volta.

 

 


 

Foto: Fábio Pinheiro  http://www.flickr.com/photos/fabio_dsp/



- Postado por: Delia ?s 00h41
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Êxtases de Teresa
E não gozo sem mar
Tudo em único gole
querendo morrer ou
verter-me
nos lençois de algodão
estampado.

 

 

 

O Êxtase de Santa Teresa D´Ávila. Bernini (1598-1680), escultura realizada entre 1645 e 1652, em mármore e bronze dourado. Encontra-se na capela Cornaro, igreja de Santa Maria Vitória, Roma.



- Postado por: Delia ?s 01h14
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Carta Aberta

 

Desculpe escrever  no computador a sua cartinha, mas é que minha letra é tão feia, (não tenho suas letras de forma) e dependendo do assunto vai ficando incompreensível, pois ela toma vida. E muda demais.

Muda tanto, que parace ser de várias pessoas, então no fim se assemelha mais a um rosto desfigurado do que algo realmente meu... (ok, não é psicanálise)

Bem, demorei bastante para responder a sua última cartinha né? Pena isso. Vinhamos num ritmo tão legal, nessa gostosa fantasia de querermos ser Clarice e Sabino. rs...

Mas é que tantos ventos me tocaram, tantas noites sem lua, tantas tempestades em casas de palha, que não tive como estar ausente e me focar só em você, como agora.

Acho que as coisas estão mais calmas, e pela súbita mudança, chego temer o que possa vir depois, mas deixemos o depois para depois...

Amiga, tenho sentido sua falta. Tenho desejado demais sua presença “à paisana”,  e não aquela acadêmica comprometida com outras coisas,  embore eu também adore poder te ouvir falando, expondo suas idéias...Isso me alimenta em admiração e orgulho.

Mas, não é assim que a quero perto, quero vê-la de pés descalços, cabelos desgrenhados, sentada no chão de minha sala ou na areia de uma praia qualquer. Quero nossos olhares  tácitos que se compreendem sem palavras. Amo essa comunhão que tenho com você.

Nosso amor inexpressívo nas palavras, porém escandaloso nas entrelinhas do intangível.

Somos assim né Fá? Nos amamos de um amor explícito e gratúito.

Ei, essas nossas vidas tão desencontradas hein?

No começo de tudo ( digo, de quando nos conhecemos) achei que trilharíamos caminhos muito semelhantes, e no meio desses 2 anos e meio noto assustada o quanto nos afastamos em rumos de vida.

 Na verdade, acho que você não se afastou de nada, ao contrário, foi mais fiel possível aos objetivos, contando até com os percalços, e se saiu brilhante em todos as ocasiões. E é lindo perceber isso.

Fui eu que me perdi na trilha, e até hoje tento sair dessa mata que se fecha à cada dia. Foram várias guerras, golpes de estado, tomadas de poder, revoluções, assassinatos, (pseudo)suicídios, e continuo tentando levantar.

Talvez em outros anos, me sentisse uma fracassada por isso, por não estar conseguindo crescer no mesmo ritmo, por ter me desviado tanto do caminho, mas, hoje não. 

Hoje não me puno tanto, o mundo já está ai para isso, hoje tento ser leve...

Olhaí! A leveza novamente! Desculpe, não quero ser monotemática! 

É  que não há como escrever pra você e não falar de leveza.

(Já que é nossa busca declarada.)

Nós duas que em tão pouco tempo já saimos de ceticismo prepotente, passamos ao poderado, depois as pequenas belezas, os vazios, os pequenos milagres, as angústias, as eternas dúvidas e contantes inquietações, à volta do objetivismo controverso,  a ampliação do subjetivo latente, e tantas outras coisas , sempre mirando um modo de ser mais leve...

E sabe de uma coisa? Temos conseguido, Fá!

É tão prazeroso sentir isso! Sentir que nem tudo é em vão...

Vejo você emergindo em músicas, pinturas e poesias e penso-sinto;

“Ela está reamente mais  leve”.

 E quando te encontro, posso ver nos olhos o brilho.

Eu do meu lado me desfaço em palavras para aliviar um pouco a alma... e assim, vou seguindo...

Hoje quis escrever para você, porquê como disse antes, estou com saudade de tê-la perto, mas também porque vi um scrap seu, em meus recados. E com suas poucas palavras você me dizia: “ Já estou aqui,  espero por você” . E eu quis escrever pra dizer:

“Sim, Fá, me espere, pois quero sempre poder estar onde você existe”.

 

Saudade,  dos abraços demorados

 

 

Que te ama,

 

 

Délia



- Postado por: Delia ?s 13h17
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Mata e Fortalece.

 

 

"Como quebrar com as mãos, pedras."

Diria, se me perguntassem.

Mas ninguém que saber o outro lado

do escândalo.

Não querem saber se durmo

mas, com quem durmo.

Não interessa a minha alegria

o que os alimenta é a nossa dor.

Tanto faz se fiz ou vou fazer

O fato já consumou.

 

 

 

 

 

 Foto: olhares.com



- Postado por: Delia ?s 03h04
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Dona Adélia.

 

Comigo-ninguém-pode

Cega!

Café com água é

para criança.

Seus primos tomam...

 

Ali, às três da tarde,

era o nosso lugar.

Todo dia.

 

E de lá e de banda

corria no batente de cimento

para vê-la fumar.

 

Cachimbo de avó.

 

Lembro dos pés

Lembro das mãos

e dos cheiros.

 

Sentada na cadeira branca

ainda mora em mim.

 



- Postado por: Delia ?s 21h59
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Era uma manhã comum, como as outras manhãs daquele ano e mês. Acordei com o habitual ronco na barriga e já sabia que tinha que comer mamão. Logo uma fruta que sempre odiei, mas era assim, há pelo menos 6 meses era assim todos os  dias...
Mas, naquele dia comi algo além do desejado mamão, uma" inocente" fatia de pão com mateiga. Quando falo "inocente" é pôrque acredito mesmo na ausência de culpa daquela massa fermentada lambuzada de gordura de origem vegetal ...
Embora evidências digam o contrário, mas nunca saberei.
O fato é que quando desgustava com prazer aquele pãozinho, um pedaço dele entrou na cavidade de um dente que estava quebrado e merecia um canal...Foi a primeira vez que fui ao céu naquele dia. Sem muito esforço ainda lembro daquela dor
agudíssima. Fiquei retesada, tive cãibras e lágrimas escorreram... a polpa do meu dente estava quase para fora. É horrível só de lembrar. Na hora não tive muita reação, só tentei respirar e ligar para médica pra saber se eu poderia tomar analgésico e qual seria. Ela disse que sim,  me recomendou um fraquinho, mesmo eu dizendo que estava com o rosto inchado e latejando.
Nessa hora estava sentada na cama, pois tinha ido pegar o telefone no quarto, e naquele momento, quando  me levantei para pegar o bendito analgésico...Minha vida mudou...
Epifania pura, materializada em água vertida de meu útero.
A bolsa estourou, João finalmente ia nascer.
Esqueci da dor, olhei para maletinha branca, cheia de roupinhas e outras pequenas coisas, pensei em pega-la e sair correndo como nos filmes, como na tv, mas não era assim...
Não tinha essa pressa, não tinha agonia, foi um momento único, o primeiro momento em que lembro sentir que algo real estava acontecendo comigo.
Ali em pé, com as pernas molhadas e uma poça sob mim, sabia que minha vida tinha acabado de mudar para sempre.
Ia dar à Luz.
Acho lindo esse termo, essa metáfora-eufemística  sobre o susto que é por alguém nesse mundo.
Foi uma tarde agitada, entre as cólicas fortes e a insegurança do momento, foram muitas lágrimas e idas ao banheiro.
Minha médica chegou, me fez um carinho, e constatou que a dilatação não evoluia, e assim decidimos a operação.
Confiei tudo à ela, todas as decisões, sabia que ela faria o que fosse melhor pra nós dois. Ela já tinha ajudado minha mãe a trazer-me à vida, e naquele dia iria me ajudar à conhecer pequeno-grande João.
Eu estava insegura, apesar do pai de João estar ali perto, me dando força, mas queria mesmo minha mãe me dizendo que tudo ia sair bem ...
Mas, ela estava na estrada, pegou um ônibus assim que soube que a bolsa estourou, não estava em casa quando liguei, então quando ouviu o recado, saiu com uma malinha e um terço.
Chorou calada, baixinho, por duas horas, até ver Joãzinho pelo vidro do berçário. E na mesma hora e sem que ninguém dissesse, ela adivinhou qual carinha de joelho era seu primeiro neto.
Lembro da sala de parto, da anestesia, dos médicos conversando, da minha ansiedade e do chorinho dele...
Era um pacotinho de lençol que chorava! A coisa mais linda que já vi.
Era um choro alto, estridente dentro de uma sala grande, até que trouxeram-no a mim.
Olhei, agora de pertinho, seu rostinho fofo, os lábios vermelhos, o cabelo pretinho meio que em pé, as bochechas rosadas...
e falei com ele...
-João, é mainha, oi meu amor, sou eu, sua mamãe...
Então, fui ao céu novamente, só que não pela dor, mas por um amor indizível.
Não sei se pelo cheiro , ou pela voz, ele me reconheceu. Parou de chorar na mesma hora.
Já eu, não consegui evitar, cai em um pranto de êxtase abençoado, que até hoje sinto.
Só que aos pedaços, aos pouquinhos, sempre que tenho a oportunidade de vê-lo tão cheio de virtudes, lindo, falando, brincando, sendo criança.
Há nove anos, no dia 12 de Abril às 16:00 horas, ganhei a mais prazerosa e bela razão para viver.

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Meu amor, tudo que mainha te deseja é que seja feliz. É que aprenda sem muita dor a viver nesse mundo louco.
É que veja a beleza das pequenas coisas, e a importância das grandes, e não efêmeras.
É que você seja um homem honesto com você mesmo, que ame sem prejudicar a ninguém.
Que tenha prazer nos livros, nas músicas e nos filmes.
Que se possível, sempre que possível, seja leve... levinho.


Muitos anos pra você, bolinha ...



- Postado por: Delia ?s 14h40
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Unidade

Não sei pelo que fui tomada
Sinto que há em mim um sagrado que não havia.
Uma coisa que não sei, de tão forte.
Tomou-me.
E amo.
Fez- me agora por simples brincadeira
feliz e inteira, como a lama, a larva e o verso.
Inteira por ser exatamante corpo, alma e
algo que transpassa.
Algo indefinido, mas completo de tudo que
é inteiro e só.
De tudo que tem cheiro, cor e textura.
É o sagrado tremor de carnes e de órgãos
desafiando à ser.
Ser inteira.
Ser só.

 

Foto: Henri Cartier Bresson



- Postado por: Delia ?s 00h02
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Linda manhã de segunda-feira.

Tente imaginar um dia desses de chuva fininha, clima ameno-friozinho, no qual só se conseguiu dormir à 5 da manhã, e por essa razão, juntamente com o tempinho agradável se tem vontade de ficar hooooooooooras no colchão...
Mas tem que se levantar, e a  gente levanta se sentindo uma miserável, uma ameba de tanto sono! Mas no fundo , no fundo uma vitoriosa, por ter enfim, se levantado...(sem comentários)
Então, toma café, se veste e vai tentar ser um ator social comum em uma fila de banco. Mas não dá...
E não dá, não porque não consegui vencer a preguiça e fiquei em casa,  ou porque tive um instante de lucidez e pensei no quanto é chato ir ao banco ficar em pé na fila, ainda mais num dia chuvoso em que se foi dormir já de manhã.
Não dá porque as contas não chegaram, o correio atrasou, o porteiro fala rindo que;
- Sempre acontece.
Ótimo, além do sono, de ter me levantado e saído até a portaria na chuva, vou pagar multa de atraso!
Sim, perfeito, mas vamos tentar superar...
Chego ao banco, porque embora não tenha os boletos das contas, tenho outras dívidas à quitar...
Hum... cadê o meu saldo???
-Moça, por favor, meu saldo desapareceu..
- Como senhora?
- Meu saldo, meu crédito, pequeno e mirrado, crédito, sumiu.
- A senhora, só um instante deixa eu verificar...
-Ok (tst)
- Sua conta está expirada... passou da validade de conta universitária... seu CPF também, ele está irregular na receita...
- Mas, mas, mas como?? Sou dependente (não, não de psicoativos...) inclusive na declaração do meu pai...(como se fosse só lá)
-Sim, mas houve um erro ,(adoro essas indefinições) e tem que recadastrar no cheque especial, regular-se com a  receita, esperar 24 horas para o banco reconhecer a regularização , mas 48 pro sistema devolver seu crédito...
-Ahan...obrigada....
Volto pra casa, sem grana, e com mais dívidas...
Meu pai liga...
-Chegou a fatura do cartão... mas minha filha, isso tudo??? (tudo painho? não seja piadista!)
O outro celular bipa...
- Espera  um pouco painho...
- Sim? Oi...Seu Milton, tudo indo e o senhor? Ah, o IPTU? (putaquepariu o IPTU) ah, paguei sim, (ahan...) Pois é...não, deve ter sido erro de sistema ( se eles usam eu também posso usar!) não... tudo bem... vou ver aqui direitinho...ok, ok, ok...tchau...(afffffffffffffffffff)
-Alô, painho??? Não, não era cobrança não...não...diminuir minha mesada? Não, omi... alô, alô...???
...

Linda segunda...
E nem terminou ainda...

 

Foto: www.olhares.com



- Postado por: Delia ?s 14h11
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