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Cristiny On Line



Sem paz nem poesia.

Semana passada vendo um site de eventos culturais, li sobre um concurso on line de poesia. O tema é  " A paz em minha aldeia". Li, e gostei. Achei que pudesse ser interessante, escrever com um mote, já que nunca tive essa experiência. Alguns dias depois, estive em Currais Novos e no meus muitos momentos de ócio resolvi exercitar a suposta criatividade. Fiz uma poesia. Gostei dela, soou sincera aos meus ouvidos, pareceu-me contemporânea e "real". Porém hoje fui finalmente ler o OBJETIVO do concurso, e não pude evitar de dar risada. Escapei de ser tida como "sem noção" ou algo do tipo. Porque segundo os criadores do concurso:" O tema visa expurgar a violência que grassa em todos os cantos do planeta. Numa forma de combater, num bom sentido, essa onda terrível, o poeta tem que transmitir em forma de poesia, principalmente, a sua PAZ INTERIOR".

Confesso, sou incapaz de escrever algo com "paz interior"... ainda mais negando o óbvio, que é a violência declarada em nossas caras. Então fica (só por ) aqui a minha primeira poesia com "mote". 

 

 

 

Paz em neon.

 

 

Crianças correm na rua

Nada de brincadeiras infantis

são reflexos do corpo protegendo os ossos

dos covardes-cassetetes.

Em corredores, sob camas (infecciosas)

perdemos avós, tias e sobrinhos.

E no terror cotidiano de buzinas e fumaças

reinam torturas-testes para as

sanidades já tão fragilizadas.

Nas esquinas manchadas pelo relento,

negociando fugazes prazeres,

estão copos modificados e almas dilaceradas

por aqueles que de dia não as vêem.

Não longe, num salto de puro terror

acorda  Maria,

mais uma vez tenta se esconder das balas

que não raro, por inocentes são achadas.

Agora,

Luzes do quarto do meu visinho se apagam,

Queria (D)eus, que como eu

Ele não esqueça de rezar...

 

Pela paz em minha aldeia.

 

 



- Postado por: Delia ?s 00h55
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Hoje posso escrever, pelo simples fato de estar aqui.
Eu sobrevivi.
E escrevo, à essa força que me tomou, embalando meu sono por horas e me colocando num estado/estágio de total "vunerabilidade-protegida" (de mim mesma).
Estive entregue. E me entreguei sem olhar para quem ou para onde, pois era apenas uma passagem e isso que importava, uma passagem para outro lugar que não essa dor massificada, alojada em meus espaços (in)consciêntes de fina resistência.
Eu à mercê de mim, desfigurada de não desejos.
Mas,
Dormi, e renasci por mais uma vida.

 

*******

"Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge..."
(Jorge da Capadócia - Jorge Ben Jor)


Tragam o vinho!
Celebremos em vermelho-vinho o sangue que só coagula.
E vira pedra em minhas veias.
Bebemos em louvor ao não apodrecimento do pão.
Sem bolor nem vermes , contínuo e intacto.
Façamos poesia!
E com palavras vagabundas contemos nossa trágica comédia.
Já fui ao poço e de lá muita lama carreguei.
Hoje me lavo no incessante rio que sob mim transcorre.

 



- Postado por: Delia ?s 14h35
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Blue Verossímil de uma Contista Farsante

(Continuação)


Aliás, quem sabe sobre o viver? Sobre o real? Sobre o momento? Sobre o concreto?

Não há o concreto. Sem o absoluto tudo é efêmero e desconexo.

Estamos sempre esperando o “script” do dia. Enquanto o tempo foge...

Ela sabia disso, e tinha consciência ( mesmo limitada) do quanto era difícil seguir os nossos roteiros.

Era jovem ainda, mas não mais menina. Gostava de saber-se mulher. Não era de um todo feia, mas já fora mais privilegiada pelas opiniões estetas.

Hoje parecia um retrato distorcido dela mesma. (difícil de encarar).

Considerava-se cheia de inadequações. Seus desencaixes causavam dores que não tinham nome. Buscava muitas vezes sem convicção de vontade, adestrar-se aos espaços que lhe cabiam...Mas, não conseguia.

Usava (e abusava) do direito de alteração dos estados de conciência, fazia de pequenos vícios - placebos holísticos, que geralmente findavam com ressacas de todo corpo e alma.

Tremores nas mãos e nas idéias.

Tinha hábitos estranhos e manias inocentes que certamente se agravariam com a velhice. Não era o muito que a alegrava, e isso fazia-a sentir ingênua e provinciana, ao deparar-se estasiada com um pôr-do-sol perto do mar. Sentia enorme prazer no cheiro de chuva, no copo de leite, nas fronhas limpas, e no brilho dos sorrisos e olhares dos que a afeiçoavam.

Não havia nela nada de talentoso, especial, ou extraordinário. Não era heroína, artista, atleta, famosa, ou gênio. Não sonhava com a ribalta, ou ir à lua, nem com os iates , ou as condecorações.

Era só alguém comum que lutava pela simplicidade, subjugando todas as frustrações.

Queria escolher coerentes caminhos, pois já sentia que não era mais o tempo das apostas vazias, queria sentir-se amada por ser assim; teimosa e errante.

Mas, naquela tarde não havia mais desejos, erros ou acertos, era o vazio que a tomava.

A solidão de se sentir por inteira fazendo as leis do universo cessarem por eternos segundos.

Micromundos, microcosmos, constelações, sistemas, espaços inertes...

Mas,

Tudo parou em nome da dor dela.

A dor de não ser.

A dor de nunca ter existido




- Postado por: Delia ?s 00h25
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Blue Verossímil de uma contista farsante.

Num esforço exaustivo animal-humano, concentrava-se para não desmaiar, não esvair-se de si, não perder-se nos próprios pensamentos e esquecer de existir naquela fila do caixa do supermecado. Eram tantos pensamento com vozes autoritárias que ensurdecera para o mundo. Era uma inadequação de imagens desconexas descaracterizando o que  parecia ser real.

Não havia nada seguro, tudo era fruto de algo que  só queria confundi-la, desestabiliza-la, transporta-la para uma área de difícil acesso à razão. Estava enlouquecendo?

Talvez...

A moça do caixa  que a olhava com espanto, questionava com todos os músculos de sua face a (não) reação daquela mulher, seus olhos eram interrogações vivas, exibindo uma agonia impaciente, indelicada, aflitiva e urgente.

A mulher não conseguia ouvi-la nem decodificar o movimento da boca da moça, que parecia repetir cada vez mais rápido os mesmos gestos labiais.

Era um transe de fato e era ali, em pleno supermercado que se dava a dessasociação     dos seus mundos paralelos.

Escuridão.

Ao abrir os olhos deparou-se com três rostos que pareciam de cera, irreais. Duas mulheres e um homem falavam com ela em perguntas alternadas. “A senhora está bem?

Quer um pouco de água ? Está entendendo o que estamos falando?”

A mulher já com a audição recuperada respondeu positivamente com a cabeça indicando  que “voltara a si” .

Desmaiou batendo a cabeça na esteira de um dos caixas das pequenas compras. Não sabia de nada mais, além do que lhe falaram. “A senhora ficou sem um pingo de sangue no rosto e caiu durinha no chão, com o pacote de pão de forma na mão”.

“Obrigada”, foi a única coisa que falou aquela mulher, por não saber o que dizer naquele momento . E levantando-se devagar saiu  alisando os cabelos,  abandonando o pacote de pão numa cestinha ao lado.

Era desfocado como um sonho e também era difícil lembrar claramente as sensações e  ordens dos fatos. Estava ausente... Mas, onde estava?  

Os carros, ônibus, motos buzinavam com potência, seu corpo desafiava o espaço da rua com  os transportes em velocidade. Ouvia-se gritos que disparavam seu coração, que naquele momento já pesado e acelerado com fúria, impusera uma dor fina .

Estava tonta, mas desejava enfim chegar em casa por isso seguiu por calçadas e ruas até chegar em seu pequeno apartamento semi-vazio.

Silêncio.

A claridade excessiva da sala de estar sem cortinas, a incomodava como se a tomasse  mais uma vez, fazendo-a sentir exposta e sem proteção.

O calor tomava conta do seu corpo banhado por um suor salgado/frio.

Ligou o ventilador velho, só queria refrescar-se...

Não chorava, não ria, não lembrava, não entendia.

Aquela era a apatia que há tanto desejava...

Sem dor, sem  pensar.

...

A mais ou menos dois meses andava em estado de alerta,  sentia,  algo ia acontecer.

Não sabia exatamente do que se tratava por isso angustiava-se sofrendo por diversas dores ao mesmo tempo. “Será enfim a morte?”

Quando se perguntava sem esperança de resposta se era sua hora, tinha pena de si mesma, sentia uma saudade que lhe molhava  o canto dos olhos e travava a garganta. Não queria “si” perder.

Doía à falta de sua companhia nos dias de “doces solidões”.

E  sobre deixar aqueles poucos que lhe aquecem a alma?

Já era diferente encontra-los, existia um ar de despedida em cada frase, fazendo com que ela num reflexo esquizofrênico de sua suspeita, adulterasse os sentidos para que tudo correspondesse à sua morbida-conspiração-secreta-contra-si-mesma.

Ao invés da insônia que lhe acompanhava toda à vida seu sono era longo e relaxante.

Sua vida era mais prazerosa enguanto dormia. (Eram ótimos os sonhos induzidos por remédios caros.)

Surgiu tardiamente, (diga-se de passagem) uma súbita consciência corporal, que a deixou ainda mais perdida. Suas imagens selecionadas previamente por seu olhar ilusório de manutenção de uma farsa há muito encenada, não permitia que si enxergasse como lhe enxerga o mundo. Era uma reprodução do “hábito de proteção contra dores” que seus pais sempre utilizaram, quando maquiavam ou escondiam totalmente à vida real.  Não sabia viver de verdade...

 

(continua...)

 

 

 



- Postado por: Delia ?s 10h06
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Tenho medo do mar no escuro da noite. Já não consigo suportar os dois maiores mistérios tão próximos à mim.

São forças mais brutas que o susto da vida.

A noite e o mar detêm o desconhecido que me paralisa. Eles são, eu, em um estado real sem as camadas acessíveis que camuflam o verdadeiro animal.

Me assusta ouvir minha voz em sons incompreensíveis de dor e ausências-de-mim-consciênte.

Um mergulho no mar à noite é a profunda emersão no que me compõe. Mistério e Escuridão.

O estranhamento contínuo do meu corpo alterado por excessos, me causa "des-conhecimentos"

internos.

É o incessante hábito de subverter as aparências deixando-me no limiar do não ser.

Desejo o equilíbrio como à luz de um farol.

Alinhar a mente-corpo-e-visão é vital agora.

Difícil é não estar em mim.

Preciso urgente da aurora em terra firme.

 

 

 

Foto: Schatz



- Postado por: Delia ?s 17h13
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