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O discurso do silêncio.

"Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz?"


É Outubro, a data é 21 e o dia é um domingo, mais um dia típico do ano de 2007. É uma tardinha, quase noitinha, e após uma caminhada no calçadão da praia, "cartão-postal" da cidade, duas meninas vão a um barzinho tomar a primeira cerveja da semana que começa.
Junto a elas está um amigo próximo, que entre um copo e outro conversam sobre amenidades. Tudo muito bom, tudo muito bem, até que o garçom, figura já conhecida pelas pessoas da mesa, se aproxima e fala num tom enfático e sério:
"Olhem, é que sou uma pessoa legal, mas eu deveria ter fechado a conta e pedido para que vocês se retirassem daqui."
Piada.(claro) As meninas riram, só podia ser piada...(claro).
Mas, diante da cara séria do garçom e a demora para que ele dissesse com uma carinha infame que "era apenas brincadeirinha"...
Elas perguntaram:
"Ow você tá brincando né? O que nós fizemos?" (Ainda achando que fosse brincadeira.)
E o garçom explicou o motivo. E a causa, (pasmem) não passava de um beijinho.
(Sim, um beijinho, uma bicoca, uma bitoca, um selinho, como queiram.)
E ainda justificando falou: "Não é por mim, é que tenho ordens para fechar as contas das mesas em que acontecem esse 'tipo de coisa'."
Ainda sem acreditarem, as meninas que namoram a 2 meses, não souberam o que falar.
Então diante do silêncio, o amigo que as acompanhavam perguntou: " Sim, mas aqui não é um bar 'gls'?
E a resposta foi taxativa: "É o que dizem , mas nós nunca dissemos isso".
É, infelizmente não se trata de um "causo".
O silêncio que tomou conta das meninas e que lhes causou indignação, também criou constrangimento, decepção, e a inevitável sensação de estarem sendo lesadas. Infelizmente isso é mais comum do que imaginamos...
Desde que somos crianças recebemos como forma de "educação" as condutas e as normas que devemos seguir para não transgredirmos os valores sociais e morais da sociedade vigente. Aprendemos como devemos nos portar na família, e posteriormente no colégio, para que depois saibamos como agir no mundo social como um todo.
Dentro dessas variadas condutas estão também as que se enquadram no "aceitável" quanto o exercício da sexualidade, e nesse ponto a sociedade é clara: "sedes discretos, monogâmicos, e é claro; HETEROSEXUAIS."
Qualquer conduta fora destes preceitos é condenável à marginalidade.
No caso das mulheres, criadas para serem mães, domésticas, e assexuadas as penas são ainda mais severas.
Falam-se de vitórias, conquistas, visibilidades e orgulhos conquistados pelas mulheres nesses últimos séculos, mas não podemos cegar e negarmos a luta cotidiana que enfrentamos por espaço e respeito, ainda mais se somos "fora dos padrões vigentes". (com direito a todos os eufemismos).
A verdade é que é muito difícil sim, se impor, e demonstrar carinho em público e ignorar os cochichos, os olhares atravessados, os risinhos debochados e até os "elogios" pejorativos.
Não é toda lésbica que tem disposição para isso, nem é toda lésbica que possa fazer isso, pois assumir a sexualidade para a família e a sociedade ainda é uma tarefa árdua, digna de duras penas.
É, isso tudo é a sociedade patriarcal-falocêntrica-pequeno burguesa, nos está dizendo : Desistam não vale a pena, não há lugar para vocês.
Mas há, e sabemos que não é, e não pode ser assim.
E ainda que as margens, em guetos, tentamos exercer nossos desejos, nossos afetos, nossas "condições primordiais não aceitáveis".
Bares e boites gls são freqüentados, e cada vez mais procurados aqui em Natal. (e como em todo lugar gls do mundo as pessoas se encontram se conhecem, se beijam...) Nesses lugares é comum que sejam feitas propagandas em forma de "flyers" de outros lugares também gls da cidade, e é fato que em virtude da inauguração do bar, (no qual as meninas foram repreendidas,) esse tipo de propaganda foi feita.
Bem, então acontece ai alguns contra-sensos.
Se não querem ser vistos como bar gay, porque fazem propaganda nos bares dessa temática, no qual obviamente freqüentam esse público? Outra, se o público que freqüenta o bar hoje em dia já é em sua maioria homossexual, porque a imposição de uma medida que impeça a troca de carinhos por pessoas do mesmo sexo?
Para mim não há respostas para essas perguntas, ou pelo menos não há nenhuma aceitável, o fato é que as pessoas que freqüentam esse bar que já pelo nome induz a pensar em aconchego, em afago, em "cafofo",  não vão apenas pela cerveja gelada, nem pelo petisco barato, mas vão também para paquerar.
E agora fica a pergunta:
Será que vale a pena ir a um lugar no qual se pode consumir, mas não exercer o direito dado por lei, em publicação em carta magna, de escolha a quem paquerar? Beijar?
Vale a pena vender sua dignidade, podendo a qualquer minuto ser constrangido por beijar sua namorada, em troca de um espetinho de um real?

 

"...É pela paz que eu não seguir admitindo..."



- Postado por: Delia ?s 20h00
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