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Cristiny On Line
Já fui flor da flor.
Hoje sou algo de lembranças e silêncios. Vírgulas entre reticências.
Sou aquela ferida por uma espada perfumada, de lavanda e sândalo.
Guardo caixas com papeis, laços de fitas, miniaturas, e meu coração.
Hoje falei coisas que guardava por noites e madrugadas.
Mas, não falei o essencial, este se diz por olhares.
E há muito já não a vejo.
Tenho pinturas nas retinas, vejo o mundo por seus pincéis.
Cores, dores, sonhos.
Eu nunca fui tão sensível, nunca tão inteligente, não pude entender.
Ver não me bastou.
Mas, a levarei para os tempos que virão. Farei outros poemas, beberei vinho.
Terei para sempre as caixas.
Quando não sonho.
Pobre de mim perdida entre tantas vidas.
Perdidas, histórias se cruzam sem que por inteiro,
possam tocar...
Cruzam no espaço, na terra, no chão e no sonho.
Mas,
Deram-me um nome. Nome de avó querida, lindo!
Deram-me um rosto, de menina, ainda.
Fiz 27 e nada sei.
Quero respostas!
E que venham em um velho disco de vinil,
encontrado na casa de meus pais, e guardado
para ser ouvido em um sábado (solitário) a tarde.
Quero perguntas!
Que sejam rudes, frustradas, desesperadas,
e purifiquem tudo, depois de lágrimas e poesias.
Quero o João explicando-me a simplicidade que esqueci.
É, pobre de mim perdida entre minha vida.
Acho que vivo em um filme de alguém.
Um filme clichê e um tanto parado.
Uma mistura “non sense” de México e França.
( em seus extremos)
Nunca soube “tomar as rédeas”
e acho que nunca soube exatamente o que isso significa.
(É como estar eternamente presa em um salão de dança
à mercê de um dj com temperamento bipolar. )
As vezes sonho que tenho um vestido igual ao da Alice
(a do país...) só que vermelho com bolinhas brancas,
e estou sentada em um banco, num jardim,
onde nada acontece.
O que houve com os sonhos aéreos?
Era isso que hoje eu mais queria...
Voar, voar, voar, voar.