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Há dias que não deveríamos acordar.

Nesses dias somos como a Carolina do Chico.

(...seus olhos fundos guardam tanta dor, a dor de todo esse mundo...)

Não tem sol, ou chuva que agrade.

O cabelo não penteia direito, nenhuma roupa serve, a comida no fogão queima.

Os telejornais nos fazem chorar, as novelas nos fazem chorar, os comerciais...

Há dias que o espelho não faz jus a nossa imagem.

Ficamos sem cor, sem forma, sem cara.

O ônibus demora demais, os livros têm palavras demais, as pessoas chatas demais,

A paciência curta demais.

A vida se torna um mistério! E não pela magnitude da beleza, ou dos infinitos, ou sequer das divindades.

É um mistério suportar a dor que é viver.

É difícil ignorar isso, tentando ser gente, tentado ter prazer, tentado agradecer por coisas, tentando ser feliz(?).

A saudade está por todos os lados, e as coisas exalam um odor de nostalgia.

Queria estar na casa dos meus pais, quando lá, queria estar na minha casa...

Queria sair com os amigos, quando saiu, queria estar sozinha...

Queria escrever, quando escrevo... Sim, alivia um pouco.

É, preciso de alivio, bálsamo pra essa cuspida que levamos na cara quando acordamos,(quase que sempre).

Hoje pensei que quem se mata deve ser por duas razões, ou não leu o suficiente, ou leu demais.

Não sei que limiar estou...Acho que preciso ler mais...

Quero uma cerveja, e hoje é o melhor dia pra beber. Segunda-feira!

Afinal, nos matamos no domingo.

 



- Postado por: Delia ?s 16h14
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Anália no cinema, cinco minutos antes do filme.

(Uma fábula contemporânea, pros 'mais de 20').

 

 

Ela entrou na sala de cinema, e pra seu total deleite, estava vazia.

Era só Anália e a imensidão da sala , Anália e a grandeza da tela, Anália e o silêncio (apenas quebrado pelos condicionadores de ar).

Esse é meu universo, pensou ela com emoção infantil, de como criança que recebe algo "importante" de presente. Aquilo tudo era muito especial.

Era um cinema só pra ela, e mesmo que sem imagens na tela em branco, havia o espaço, haviam as poltronas, havia o silêncio!(ah! o silêncio) E tudo era dela.

Anália não se mexia, quase em êxtase no lugar central da última fila, lá em cima. Pernas estiradas, pés sobre as cadeiras da frente, braços sobre o abdômen e a cabeça encostada na parede. Era preciso se acomodar bem pra aproveitar ao máximo o espetáculo!

Anália com o cinema, só dela.

Apesar de estar tudo tão calmo e ela querendo não se mexer para prolongar aquele momento, dentro dela pensamentos mil faziam festa.

"Ah, essa é maior vantagem de ser apreciadora do cinema pós-moderno, dito 'artístico'! Droga, espero que não chegue ninguém, mas será? (hum, ninguém vai acreditar quando eu contar.) ...o cinema, só pra mim! Estou sendo egocêntrica? egoísta? sociopata? ou eu mesma? Quem diria, eu aquela menina ex-patricinha, ex-maria-vai-com-as-outras, ex-preocupada-com-que-os-outros-vão-achar, aqui, tão feliz em ter vindo ao cinema sozinha. Como sou desencanada!"

E relembrar a vida como num flash back de guerra, sempre foi legal pra Anália.

Ela tinha prazer em reconstituir mentalmente o seu caminho passado, isso não permitia que ela se perdesse, que ela se esquecesse de coisas que parecem que não foram com ela, coisas dignas de outras vidas, outras pessoas.

Mas ela sabia, era ela, e isso é bom de lembrar...

"...Dá liberdade sabe?" Dizia ela, sempre que justificava seu prazer nas lembranças.

"Pensar que já fui tantas me dá liberdade pra ser ainda outras."

 E naquele momento ela era mais uma, a menina do cinema, a menina sozinha no cinema...

Até que, lembrou de algo muito importante, que ela nunca, jamais, seria "a menina do cinema" se continuasse sozinha ali, ela tinha que ter platéia, tinha que ter público pra sua atuação especial, caso contrário aquele momento se perderia. Quem ia ver ou achar; 'que legal, a menina está sozinha no cinema' se não tivesse mais alguém?

Mas assim, ela não estaria mais sozinha, né?

Confusão! "Porque todo pensamento meu termina em confusão?"

Era bom estar só, ok, mas se continuasse assim, ela só seria a menina sozinha pra ela mesma, e pra que isso serviria? O legal é ser 'sozinha' pra os outros, porque causa inveja, cria um clima, dá carimbo de misteriosa/poderosa/independente.

Ser sozinha pra você mesma dá solidão das chatas, daquelas de quando a gente termina um livro excelente e não tem com quem comentar, quando vê uma flor espetacular e não consegue de forma alguma descreve-la. A beleza se perde se não dividida...

Anália agora mudara, queria que alguém chegasse, qualquer um, e que apenas a visse e pensasse:'uma menina sozinha no cinema, que inveja!' Aí sim, a beleza daquele momento era reconhecida, e passaria pro 'roll' das lembranças passadas.

Olhou o celular, quase na hora do filme, "não acredito!" pensava aflita.

Enfim risadas, barulhos, passos, e música.

Uma turma de adolescentes entrou na sala, a tela em branco agora refletia propagandas do cinema, e Anália na sua última fila pode ouvir vindo de uma das meninas da 'turma' "Merda, tem uma mulher lá na última fila, falei que era pra chegar cedo".

E...

...Anália sussurrou; sua estraga prazer, de merda!

 

 



- Postado por: Delia ?s 18h23
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Como os nossos pais - I .

 

 

Nessa vida, nunca sabemos realmente o que será importante, o que se tornará relevante pros passos futuros, pros gostos, pras decisões, pras orientações...

Há fatos que julgamos essenciais e que no passar do tempo não significaram nem a metade do que imaginávamos que significariam.

Na verdade o que nos forma são as pequenas coisas, os pequenos hábitos.

São aquelas coisas que de tão comuns não nos parecem dar direcionamento algum.

Meu pai sempre foi uma cara muito sério, trancado demais. Não gosta de festa, não gosta de bebida, nem muito menos sabe ou gosta de dançar, e esse jeitão dele me causou muito transtorno quando criança e adolescente.

Eu não podia (por vergonha) como as outras meninas da minha idade dançar, cantar ou qualquer coisa que fosse na frente dele. Nossa, parecíamos que tínhamos um acordo íntimo de que aquilo era uma bobagem profana demais, ou algo que simplesmente não cabia se fazer. Porém, se ele não estava presente, nascia uma chacrete (não esqueça! anos 80). Quando adolescente a vergonha passou à raiva, odiava a cara carrancuda do meu pai, não suportava sua seriedade, sua intolerância com os forrós e afins. O achava um chato, principalmente quando ele via alguma adolescente conversando em algum lugar daquela forma bem típica (com direito a vários gritinhos, e gesticulando sem parar) e dizia com sua “delicadeza” habitual:

"Isso é uma frangagem!"

Era o fim! Meu pai, uma chato, um careta!

Os anos passam, as confusões antigas se resolvem, as coisas ficam mais claras, outras confusões nascem, novas dúvidas surgem e o inevitável acontece; a gente acaba virando um pouco de nossos pais. No meu caso não tão pouco assim...

Painho, apesar de ser carrancudo, um tanto chato e de odiar festa, adora música.

Com ele conheci sons que hoje” harmonizam meu imaginário lúdico”.

Foi ele que mesmo sem saber me apresentou e me fez amar o samba, Atalfo Alves, Nelson Gonçalves, Cartola, Noite Ilustrada, Trio Iraquitam, Demônios da Garoa,( e até, acreditem:) Bezerra da Silva , também a música popular instrumental, a música erudita, os emboladores de coco, os violeiros.

Me lembro claramente de ter viajado certa vez a uma cidade vizinha, tinha mais ou menos 8 anos, e fomos eu, ele e mainha.

A cidade era Carnaúba dos Dantas e o passeio tinha um intuito curioso,( pelo menos pra mim, na época) fomos a casa de um velhinho, onde que painho com um vinil embaixo do braço ao vê-lo, lhe pediu que lhe autografasse um disco.

Era o senhor Felinto Lúcio Dantas*, e só com muitos anos depois vim saber, um dos maiores músicos, e arranjadores que o Rio Grande do Norte já teve, e que inclusive até hoje não é conhecido como deveria.

É engraçado pra mim como hoje me vejo parecida com meu veinho, sou carrancuda, sou chatinha e altamente intolerante com as frangagens adolescentes hahahaha.

Eu não tinha noção de como aquelas fitas, vinis e manhãs de sábado lavando o carro contribuiriam tanto pra minha formação musical, e pessoal num sentido bem amplo.

O que eu não sabia mesmo, e que é muito claro hoje, é que além do mau humor,  e do bom gosto musical aprendi com painho a ter personalidade. A ignorar os determinismo, ser o que se é e foda-se quem não gostar.

 

*

 



- Postado por: Delia ?s 18h28
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